quinta-feira, 7 de abril de 2011

Maria Lua dá o relicário para sua mãe, Ana Raio, com amor, depois de 13 anos separadas uma da outra. Um reencontro emocionante.


A profissão de ator e atriz tem essa característica: O Personagem pode ficar maior que seu criador: A atriz ou o ator. Quando falo de criador ou criadora, refiro-me à criação dramática do ator ou atriz, fruto do seu momento pessoal, personalidade e competência. O papel do escritor, também é importante, mas longe de ser decisivo. O primeiro exemplo que me vem à cabeça é o da Personagem Ana Raio. O primeiro nome que me veio à cabeça quando lembrei-me dessa novela, antes dela ser reprisada no SBT, foi o nome "Ana Raio", protagonista excelentemente bem representada por Ingra Liberato. Mas cadê que eu lembrava o nome da nossa querida Ingra Liberato? Só depois de um certo esforço lembrei. Acho que o mais importante nessas situações é a maturidade da atriz ou ator. Eles tem que estar conscientes (E humildes espiritualmente) que isso é fator da Dramaturgia. Mexer no inconsciente coletivo de Carl Gustav Jung tem suas conseqüências e elas devem ser assumidas, pois é fator agregado e intrínseco desse tipo de profissão. O ator ou atriz que "briga" com seu personagem só perde. Perde o "timming" do seu marketing pessoal e a oportunidade de mostrar que sua personalidade real pode ser tão brilhante quanto a de seu Personagem (O "P" maísculo é proposital). Caso isto não esteja acontecendo, uma terapia pode ajudar a entender o momento que se passa. O segundo e talvez mais emblemático exemplo de Personagem que ficou maior que sua criadora dramática foi Anita, da misissérie "Presença de Anita". A atriz Mel Lisboa, sua criadora (Obrigado Mel), teve uma certa dificuldade de aceitar essa realidade; fato público e notório esboçado em várias de suas entrevistas em programas de televisão e outros meios midiáticos. Depois de incomodar-se muito, aceitou o fato como natural. Chegou até a dizer, numa entrevista, que isso "a atrapalhou". Não, claro. Não é o Personagem que atrapalha e nem o povo que é atingido em seu mais profundo imaginário: É a atriz ou ator que atrapalhou-se por não saber lidar com uma coisa para a qual não foi preparada ou preparado psicologicamente. Na ocasião, a Mel Lisboa Alves era muito nova e essa dificuldade foi perfeitamente justificável pela idade, e por um papel tão marcante do ponto de vista de "mexer" profundamente com o imaginário masculino. Não só o dos homens mais maduros, como também dos jovens rapazes, porque não?
Narizinho, da primeira edição de Sítio do Pica Pau Amarelo é outro exemplo. A "Menina do Lado" (Flávia Monteiro), filme; que contracenou com Reginaldo Faria também é outro exemplo. Recentemente, em 2009, na novela Paraíso, novela das seis da Rede Globo, a atriz Natália Dill teve uma atuação brilhante no alvorecer de sua carreira como a personagem "Santinha" fazendo par romântico com o "Filho do demo" (Eriberto Leão) e hoje é mais conhecida pelo personagem do que pelo seu próprio nome. São fatos inerentes à carreira que o ator ou atriz devem estar preparados para lidar e aproveitar para, nesse contexto factual, mostrarem suas personalidades (Que são reais, e não ideais como as dos personagens) e com que tranquilidade lidam com essa dualidade que existe na cabeça das pessoas enquanto elas não conhecem a personalidade real daquilo onde que elas estão encarnando o seu mito. Toda pessoa real sempre será maior que uma "pessoa" ideal.